O preço da memória RAM atingiu níveis extremos em 2026 e passou a pressionar diretamente quem pretende montar ou atualizar um computador. Levantamentos recentes do mercado internacional apontam que determinados kits DDR5 ficaram cerca de cinco vezes mais caros em apenas 12 meses, enquanto configurações de alta capacidade chegaram a custar até dez vezes mais do que suas mínimas históricas. A escassez está ligada principalmente à corrida por infraestrutura de inteligência artificial, que absorve uma parcela cada vez maior da capacidade das fabricantes.
Um dos exemplos mais extremos aparece nos kits DDR5 de 128 GB, cujo preço chegou a US$ 3.399 no mercado internacional. Modelos de 64 GB, que anteriormente podiam ser encontrados abaixo dos US$ 200, também passaram da faixa de US$ 1.000 em algumas configurações. Os números colocam um componente tradicionalmente secundário entre os itens mais caros de determinadas montagens de alto desempenho.
Preço da memória RAM sobe enquanto servidores de IA disputam produção
A principal explicação está na mudança de prioridade dentro da indústria de semicondutores. Samsung, SK hynix e Micron atendem um mercado que passou a exigir volumes enormes de memória RAM para servidores, aceleradores e data centers utilizados no treinamento e na execução de modelos de inteligência artificial.
A TrendForce afirma que o mercado de DRAM permanece extremamente apertado no terceiro trimestre de 2026, com fabricantes priorizando aplicações relacionadas a servidores e IA na distribuição da capacidade disponível. A consultoria estimou aumento trimestral de 13% a 18% nos preços contratuais da DRAM convencional no período.
Esse movimento não significa simplesmente que fabricantes deixaram de produzir memória RAM para computadores domésticos. O problema está na competição pelas mesmas fábricas, processos de fabricação e investimentos. Produtos mais rentáveis destinados a grandes clientes corporativos ganham prioridade, enquanto fabricantes de notebooks, desktops e módulos vendidos diretamente ao consumidor disputam o restante da oferta.
DDR4 também ficou mais cara
Migrar para uma plataforma antiga deixou de ser uma saída garantida. A memória RAM DDR4, que durante anos foi considerada uma alternativa barata para computadores intermediários, também sofreu forte valorização durante a crise.
Alguns levantamentos apontam aumentos entre 120% e 180% em determinadas configurações, enquanto kits básicos que chegaram a custar cerca de US$ 72 passaram da casa dos US$ 390. Parte desse movimento ocorre justamente porque consumidores e fabricantes buscam alternativas à DDR5, aumentando a procura por produtos de geração anterior.
Há ainda outro problema: linhas mais antigas não necessariamente recebem novos investimentos. Conforme as grandes fabricantes direcionam recursos para tecnologias mais recentes e produtos destinados a servidores, ampliar rapidamente a produção de DDR4 deixa de ser uma solução simples.
Memória deixou de ser componente barato
Durante boa parte dos últimos anos, escolher entre 16 GB, 32 GB ou até 64 GB de RAM representava uma parcela relativamente pequena do orçamento de um PC gamer. Em 2026, essa relação mudou.
Dependendo da capacidade e do modelo escolhido, a memória pode representar uma parcela comparável à de componentes tradicionalmente caros. Isso afeta tanto máquinas novas quanto usuários que planejavam apenas aumentar a quantidade de memória RAM instalada.
Para fabricantes de notebooks e computadores montados, a consequência também aparece na planilha de custos. Aumento no preço dos módulos pode resultar em equipamentos mais caros, redução da quantidade de memória instalada de fábrica ou margens menores para as empresas.
Inteligência artificial mudou o mercado de memórias
O crescimento dos data centers tornou DRAM, NAND e principalmente memórias especializadas peças estratégicas na expansão da inteligência artificial. Grandes provedores de nuvem continuam investindo em servidores capazes de operar milhares de aceleradores simultaneamente, e cada sistema precisa de grandes quantidades de memória.
A Reuters destacou em julho que a expansão global dos data centers de IA transformou chips de memória RAM em componentes altamente disputados, aumentando a pressão sobre preços e fornecimento. Fabricantes chinesas também estão tentando ampliar sua presença nesse mercado diante da demanda excepcional.
O efeito não fica restrito à RAM instalada em computadores. A TrendForce também registra pressão sobre o mercado de NAND Flash, tecnologia utilizada principalmente em SSDs e outros dispositivos de armazenamento. Isso significa que montar um computador pode ficar mais caro justamente em dois componentes que, poucos anos atrás, estavam entre os que mais rapidamente caíam de preço.
Quem pretende montar um PC pode enfrentar preços altos por mais tempo
Não existe sinal claro de normalização imediata. A capacidade adicional de fabricação de semicondutores exige investimentos bilionários e novas instalações levam tempo para entrar em operação. Ao mesmo tempo, a demanda das empresas de inteligência artificial continua elevada.
Para o consumidor brasileiro, a situação ganha ainda outra variável: o câmbio. Como componentes de computador são fortemente dependentes do mercado internacional, oscilações do dólar podem ampliar ou reduzir parte do impacto percebido nas lojas nacionais.
O cenário transforma uma decisão que antes era relativamente simples. Quem planeja trocar a memória RAM do computador agora precisa avaliar preço, capacidade necessária e momento da compra com muito mais cuidado. Com a indústria ainda direcionando recursos para servidores de IA, DDR4 e DDR5 devem continuar sob forte pressão enquanto oferta e demanda permanecerem desequilibradas em 2026.