Como um tsunami atravessa oceanos e ganha força ao chegar à costa

Um tsunami pode atravessar oceanos em alta velocidade e crescer drasticamente perto da costa. Entenda como ele nasce, por que se torna destrutivo e como é detectado.

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Um tsunami pode começar com uma alteração no fundo do oceano e, poucas horas depois, atingir uma costa localizada a milhares de quilômetros. Diferentemente das ondas comuns produzidas pelo vento, ele envolve o deslocamento de uma enorme coluna de água e pode viajar pelo mar aberto em velocidades comparáveis às de um avião comercial. O perigo aumenta especialmente perto do litoral, onde a redução da profundidade transforma uma perturbação quase discreta em correntes violentas e grandes inundações.

A imagem popular de uma única parede gigantesca de água também não representa bem o fenômeno. Um tsunami normalmente é formado por uma série de ondas, separadas por longos intervalos, que podem continuar atingindo uma região durante horas. A primeira delas nem sempre é a maior.

O que realmente provoca um tsunami

Os terremotos submarinos são os responsáveis pela maioria dos grandes eventos registrados, mas simplesmente ocorrer um terremoto no oceano não significa que haverá tsunami. Para deslocar água em quantidade suficiente, o movimento geológico precisa provocar principalmente uma alteração vertical significativa do fundo marinho.

Em grandes zonas de subducção, uma placa tectônica mergulha sob outra e pode permanecer presa enquanto acumula tensão. Quando ocorre uma ruptura, partes do fundo oceânico podem subir ou descer rapidamente. A água posicionada acima acompanha esse deslocamento inicial e a energia começa a se espalhar pelo oceano.

Outros fenômenos também conseguem iniciar o processo:

  • Erupções ou colapsos vulcânicos capazes de deslocar grandes volumes de água;
  • Deslizamentos submarinos ou quedas de grandes massas de rocha no oceano;
  • Impactos extremamente raros de grandes objetos, como asteroides.

A magnitude do terremoto, portanto, é apenas uma parte da equação. Profundidade, localização, extensão da ruptura e direção do deslocamento do fundo marinho também influenciam diretamente a possibilidade de formação das ondas.

Por que alguns terremotos gigantes não produzem ondas devastadoras

Falhas nas quais os blocos de rocha se deslocam principalmente na horizontal podem gerar terremotos muito fortes sem produzir o enorme movimento vertical necessário para um grande tsunami. Já os terremotos rasos em zonas de subducção apresentam condições muito mais favoráveis.

Eventos abaixo de aproximadamente magnitude 6,5 dificilmente produzem grandes tsunamis diretamente. A partir de magnitudes maiores, o risco cresce, principalmente quando existe uma ruptura extensa sob o oceano, mas não existe um número isolado capaz de determinar antecipadamente a dimensão do fenômeno.

Um tsunami pode ser quase invisível no oceano aberto

Uma das características mais impressionantes está justamente no que acontece longe da costa. No oceano profundo, uma onda de tsunami pode apresentar altura relativamente pequena enquanto se estende horizontalmente por dezenas ou até centenas de quilômetros.

Isso significa que um navio em águas profundas pode atravessar a passagem da onda sem perceber algo comparável à enorme parede de água vista em determinadas regiões costeiras.

A velocidade depende principalmente da profundidade. Em áreas profundas do Pacífico, essas ondas podem superar 700 km/h, permitindo que a energia atravesse enormes distâncias em poucas horas.

Essa velocidade explica por que um desastre não precisa permanecer restrito às proximidades do terremoto. Um evento ocorrido de um lado do oceano pode gerar alterações detectáveis do nível do mar do outro lado.

Por que o tsunami cresce quando chega à costa

A situação muda completamente quando a onda encontra águas rasas. Conforme a profundidade diminui, sua velocidade cai e o comprimento de onda fica menor. Parte da enorme quantidade de energia transportada passa então a ficar concentrada em uma coluna de água mais alta.

O formato do litoral também interfere no resultado. Baías, enseadas, inclinação do fundo marinho e características da costa podem amplificar ou modificar a inundação. Por isso, duas cidades relativamente próximas podem sofrer impactos muito diferentes durante o mesmo evento.

Além da altura da água, existe outro componente perigoso: a corrente. Mesmo um tsunami que não forme uma parede cinematográfica pode avançar rapidamente sobre ruas e terrenos, arrastando veículos, embarcações, estruturas, árvores e grandes volumes de destroços.

Em alguns casos, o oceano recua de forma anormal antes da chegada de uma onda, deixando partes do fundo do mar expostas. Esse comportamento pode funcionar como sinal natural de perigo, mas o recuo não ocorre obrigatoriamente em todos os eventos.

Os desastres que mostraram o alcance dessas ondas

Em 26 de dezembro de 2004, um terremoto de magnitude 9,1 próximo a Sumatra gerou o tsunami mais mortal registrado na história moderna. Ondas atravessaram o Oceano Índico e atingiram diferentes países da Ásia e da África. Cerca de 227,9 mil pessoas morreram ou foram consideradas desaparecidas e presumidamente mortas.

O alcance mostrou de maneira brutal que grandes tsunamis não respeitam fronteiras próximas ao epicentro. Efeitos foram registrados a milhares de quilômetros da região onde ocorreu o deslocamento inicial do fundo oceânico.

Outro episódio marcou o Japão em 11 de março de 2011. Um gigantesco terremoto produziu ondas que alcançaram quase 40 metros em determinadas áreas do país. Além da devastação costeira e das milhares de mortes, a inundação comprometeu sistemas de energia e resfriamento da usina nuclear de Fukushima Daiichi, desencadeando um grave acidente nuclear.

Os dois episódios também aceleraram melhorias nos sistemas internacionais de detecção, modelagem e alerta.

Detectar um tsunami é uma corrida contra o tempo

Hoje, redes de sismômetros conseguem identificar rapidamente grandes terremotos e determinar características como localização e magnitude. Dados sobre o nível do mar obtidos por estações costeiras e equipamentos posicionados no oceano ajudam a confirmar se ondas perigosas realmente foram produzidas.

Modelos computacionais podem então estimar:

  • Horários aproximados de chegada;
  • Regiões potencialmente atingidas;
  • Possíveis alturas das ondas;
  • Áreas sujeitas à inundação.

O maior problema aparece quando a fonte está próxima da costa. Nessas situações, o tsunami pode chegar em apenas alguns minutos, deixando pouco tempo para que um alerta oficial seja recebido e uma evacuação organizada.

Por isso, em regiões classificadas como vulneráveis, sentir um terremoto forte ou prolongado perto do litoral já pode ser motivo para procurar áreas elevadas ou afastadas da costa. Alterações repentinas e incomuns no nível do mar também exigem atenção imediata.

Mesmo depois da passagem da primeira onda, retornar rapidamente ao litoral pode ser perigoso. Outras ondas podem chegar posteriormente e apresentar intensidade maior, enquanto correntes fortes permanecem ativas por várias horas. A liberação da área depende das autoridades responsáveis pelo monitoramento confirmarem que o risco terminou.

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