Maremoto pode transformar o fundo do oceano em uma ameaça devastadora

Um maremoto acontece quando um terremoto sob o oceano desloca o fundo marinho e pode gerar tsunamis capazes de atravessar grandes distâncias e atingir áreas costeiras.

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Um maremoto acontece quando um terremoto ocorre sob o mar ou próximo ao litoral e provoca uma movimentação brusca da crosta terrestre. Dependendo da profundidade, da magnitude e do tipo de ruptura, o fundo oceânico pode subir ou descer repentinamente, deslocando uma enorme coluna de água. É esse movimento, praticamente invisível em alto-mar, que pode iniciar uma sequência de ondas capazes de atravessar oceanos inteiros e atingir regiões costeiras com enorme força.

Embora os termos sejam frequentemente tratados como sinônimos, maremoto e tsunami não são exatamente a mesma coisa. O maremoto é o fenômeno sísmico ocorrido sob o mar. O tsunami é uma possível consequência dele, formada quando o deslocamento do fundo oceânico transfere energia para a água acima.

Como um maremoto consegue movimentar tanta água

A superfície da Terra é dividida em grandes placas tectônicas que permanecem em movimento constante. Em determinadas regiões, especialmente nas chamadas zonas de subducção, uma placa é empurrada lentamente para baixo de outra. A tensão pode se acumular durante décadas ou até séculos até superar a resistência das rochas.

Quando ocorre a ruptura, grandes blocos da crosta podem se movimentar em poucos segundos. Se esse deslocamento acontecer verticalmente no fundo do oceano, a água localizada acima também será empurrada.

O volume envolvido pode ser gigantesco. Diferentemente de uma onda comum produzida pelo vento, um tsunami gerado por um maremoto movimenta praticamente toda a coluna de água, desde a superfície até regiões próximas ao fundo.

Nem todo terremoto submarino provoca tsunami

Para que um terremoto no oceano tenha potencial significativo de produzir um tsunami, normalmente é necessário que alguns fatores ocorram em conjunto:

  • O terremoto precisa ter energia suficiente para provocar deslocamento relevante das rochas;
  • O hipocentro deve estar relativamente próximo do fundo oceânico;
  • A falha geológica precisa produzir movimento vertical considerável;
  • Uma grande área do leito marinho deve ser deslocada.

Um terremoto submarino que provoque principalmente movimento horizontal entre placas pode ser extremamente forte e, ainda assim, produzir pouco deslocamento de água.

Maremoto e tsunami são fenômenos diferentes

A diferença pode parecer apenas técnica, mas ajuda a entender o processo físico envolvido.

FenômenoO que aconteceOnde ocorre
MaremotoTerremoto associado ao fundo do marCrosta terrestre sob ou próxima ao oceano
TsunamiSérie de ondas produzidas pelo deslocamento de grande quantidade de águaOceano e regiões costeiras
Onda comumMovimento produzido principalmente pelo ventoSuperfície da água

Um maremoto, portanto, pode acontecer sem produzir um tsunami destrutivo. Da mesma forma, nem todos os tsunamis são provocados por terremotos. Grandes deslizamentos submarinos, erupções vulcânicas e impactos de objetos no oceano também podem deslocar água suficiente para gerar ondas desse tipo.

No oceano aberto, a ameaça pode passar quase despercebida

Um dos aspectos mais perigosos de um tsunami provocado por maremoto é que ele não precisa apresentar uma parede de água gigantesca enquanto atravessa o oceano. Em regiões profundas, a altura da onda pode ser relativamente pequena e difícil de perceber visualmente.

A energia, porém, permanece distribuída por uma enorme coluna de água. Essas ondas possuem comprimentos que podem alcançar dezenas ou centenas de quilômetros e conseguem viajar a velocidades comparáveis às de um avião comercial quando atravessam regiões oceânicas profundas.

A situação muda radicalmente quando a onda se aproxima do litoral. A profundidade diminui, a velocidade é reduzida e a energia começa a se concentrar verticalmente. A água pode então aumentar de altura e avançar violentamente sobre a costa.

Em alguns casos, o primeiro sinal observado não é uma onda chegando, mas o mar recuando de forma anormal. Esse comportamento pode expor rapidamente áreas do fundo oceânico que normalmente permanecem submersas. Trata-se de um alerta natural importante, mas não acontece em todos os tsunamis.

Grandes maremotos já deixaram marcas profundas na história

O desastre ocorrido no Oceano Índico em 26 de dezembro de 2004 mostrou de maneira dramática a capacidade de um grande terremoto submarino gerar consequências a milhares de quilômetros de distância. O tremor próximo à ilha de Sumatra provocou um tsunami que atingiu diversos países banhados pelo oceano.

Outro episódio ocorreu em 11 de março de 2011, quando um grande terremoto atingiu a região nordeste do Japão. O deslocamento do fundo marinho gerou um tsunami que inundou extensas áreas da costa japonesa e desencadeou também a crise nuclear na usina de Fukushima Daiichi.

Esses eventos estimularam melhorias nos sistemas internacionais de monitoramento. Redes de sismógrafos, sensores de pressão instalados no oceano, marégrafos e satélites ajudam cientistas e autoridades a identificar terremotos potencialmente perigosos e estimar a propagação das ondas.

O maior perigo pode chegar depois do terremoto

Em regiões costeiras próximas ao epicentro, o próprio tremor pode funcionar como o primeiro aviso. Um terremoto forte ou prolongado perto do litoral pode indicar risco de tsunami antes mesmo de qualquer alerta eletrônico ser emitido.

Outro ponto importante é que um tsunami não consiste necessariamente em uma única onda. Várias ondas podem alcançar a costa durante horas, e a primeira nem sempre é a maior. Retornar rapidamente às áreas inundadas depois da passagem inicial pode, portanto, aumentar o risco.

A capacidade de um maremoto gerar destruição depende de uma combinação de fatores, incluindo geometria da falha, profundidade do oceano, formato do litoral e distância da ruptura. Por isso, terremotos de magnitudes semelhantes podem produzir consequências completamente diferentes.

O acompanhamento dessas rupturas continua sendo fundamental para reduzir o tempo entre a detecção de um grande terremoto submarino e a emissão de alertas. Para populações próximas às zonas sísmicas, poucos minutos podem separar um tremor no fundo do oceano da chegada das primeiras ondas à costa.

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