As placas tectônicas estão redesenhando a Terra neste exato momento

As placas tectônicas se movem continuamente sob nossos pés, moldando continentes, formando montanhas e provocando terremotos e vulcões. Entenda como esse processo transforma a Terra há milhões de anos e continua acontecendo neste exato momento.

Compartilhe:

As placas tectônicas estão em constante movimento e são responsáveis por transformar a superfície da Terra há centenas de milhões de anos. Embora esse deslocamento aconteça de forma extremamente lenta, geralmente na velocidade de poucos centímetros por ano, seus efeitos acumulados criam montanhas, abrem oceanos, provocam terremotos, alimentam vulcões e modificam continentes inteiros. Entender como esse mecanismo funciona ajuda a explicar por que o planeta nunca permanece exatamente igual ao longo do tempo geológico.

O que são as placas tectônicas

As placas tectônicas são enormes blocos rígidos formados pela litosfera, camada que reúne a crosta terrestre e a parte mais superficial do manto. Elas se encaixam como um gigantesco quebra-cabeça que cobre praticamente toda a superfície do planeta.

Apesar de parecerem imóveis quando observadas em escala humana, essas placas flutuam sobre uma região mais quente e parcialmente plástica do manto chamada astenosfera. É justamente essa característica que permite seu deslocamento ao longo de milhões de anos.

Hoje são reconhecidas diversas placas de grande porte, como a Placa do Pacífico, Placa Sul-Americana, Placa Norte-Americana, Placa Africana, Placa Eurasiática, Placa Antártica e Placa Indo-Australiana, além de dezenas de placas menores.

O que faz as placas se moverem

O interior da Terra permanece extremamente quente devido ao calor remanescente da formação do planeta e à desintegração de elementos radioativos.

Esse calor gera lentos movimentos de material no manto, conhecidos como correntes de convecção. Embora o mecanismo completo ainda seja objeto de estudos, essas correntes, somadas ao peso das placas que afundam em zonas de subducção e ao empurrão produzido nas dorsais oceânicas, impulsionam o deslocamento das placas tectônicas.

Na prática, diferentes forças atuam simultaneamente durante milhões de anos, produzindo um movimento contínuo que remodela a superfície terrestre.

Os três principais tipos de limites entre placas tectônicas

As maiores transformações da superfície acontecem justamente nas regiões onde duas placas entram em contato.

Limites divergentes

Nesses limites, as placas se afastam uma da outra.

O espaço criado permite que o magma suba do interior da Terra, formando uma nova crosta à medida que esfria. Esse processo ocorre principalmente nas dorsais meso-oceânicas, enormes cadeias de montanhas submarinas.

É graças a esse mecanismo que os oceanos podem aumentar de tamanho ao longo do tempo geológico.

Limites convergentes

Aqui acontece o oposto: duas placas se aproximam. Dependendo do tipo de crosta envolvida, uma delas pode mergulhar sob a outra em um processo chamado subducção. Esse afundamento gera intensa atividade sísmica, alimenta vulcões e pode originar cadeias montanhosas.

Quando duas placas continentais colidem, nenhuma delas afunda facilmente. Em vez disso, a crosta se dobra e se eleva, formando montanhas gigantescas.

Limites transformantes

Nesse tipo de limite, as placas deslizam lateralmente uma em relação à outra.

Como as superfícies apresentam atrito, elas frequentemente ficam presas por algum tempo. Quando a tensão acumulada supera a resistência das rochas, ocorre uma liberação repentina de energia que produz terremotos.

Essas falhas normalmente apresentam pouca atividade vulcânica, mas concentram eventos sísmicos importantes.

Como surgem terremotos

Grande parte dos terremotos acontece porque as placas tectônicas acumulam tensão ao longo dos anos.

As rochas deformam-se lentamente até atingir um limite de resistência. Quando isso acontece, ocorre uma ruptura repentina que libera enormes quantidades de energia em forma de ondas sísmicas, responsáveis pela vibração do solo.

A intensidade de um terremoto depende de fatores como profundidade, extensão da ruptura e quantidade de energia liberada.

A relação entre placas tectônicas e vulcões

Os vulcões também estão intimamente ligados ao movimento das placas.

Em zonas de subducção, a placa que mergulha aquece e libera fluidos que favorecem o derretimento parcial das rochas do manto. O magma formado tende a subir até atingir a superfície, dando origem às erupções.

Já nas regiões divergentes, o afastamento das placas facilita a ascensão do magma diretamente pelas fraturas da crosta.

Nem todos os vulcões, porém, surgem em limites de placas. Alguns aparecem sobre pontos quentes, locais onde colunas de material muito quente sobem do manto profundo.

As placas tectônicas já mudaram completamente o mapa da Terra

Os continentes nem sempre estiveram separados como conhecemos hoje.

Há cerca de 335 milhões de anos, praticamente todas as massas continentais estavam reunidas em um único supercontinente chamado Pangeia.

Com o passar do tempo, o movimento das placas iniciou a fragmentação desse enorme bloco terrestre. Oceanos se abriram, novos continentes surgiram e a configuração atual do planeta começou a tomar forma.

Esse processo continua acontecendo neste exato momento.

O Brasil está sobre uma placa tectônica?

Sim. O território brasileiro está localizado quase totalmente sobre a Placa Sul-Americana, longe de seus principais limites.

Essa posição explica por que o país registra poucos terremotos fortes e praticamente não possui vulcões ativos.

Ainda assim, pequenos tremores podem ocorrer. Na maioria dos casos, eles estão relacionados à reativação de antigas falhas geológicas existentes no interior da placa, e não ao encontro direto entre placas tectônicas.

Como sabemos que as placas realmente existem

Hoje existem diversas evidências que confirmam a teoria das placas tectônicas.

Entre as principais estão:

  • O encaixe quase perfeito entre diversos continentes;
  • A distribuição global de terremotos e vulcões;
  • Cadeias de montanhas submarinas que revelam a formação contínua de nova crosta;
  • Medições por satélites com GPS, capazes de registrar deslocamentos de apenas alguns milímetros por ano;
  • Rochas e fósseis idênticos encontrados em continentes atualmente separados por oceanos.

Nenhuma dessas evidências, isoladamente, explica toda a dinâmica terrestre. Juntas, porém, formam um conjunto extremamente consistente que revolucionou a Geologia moderna.

O planeta continuará mudando

O movimento das placas tectônicas nunca parou e dificilmente irá cessar enquanto o interior da Terra continuar liberando calor.

Ao longo de dezenas ou centenas de milhões de anos, novos oceanos poderão surgir, continentes poderão voltar a se unir em outro supercontinente e cadeias de montanhas atuais poderão desaparecer pela ação da erosão e das colisões entre placas.

Embora essas mudanças sejam imperceptíveis no cotidiano, elas mostram que a Terra é um planeta dinâmico, cuja superfície está em constante transformação desde muito antes do surgimento da humanidade.

Veja também: