Motoristas que circulam pelos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, na Grande São Paulo, passaram a enfrentar uma fiscalização mais avançada. Desde 1º de julho, radares de câmeras equipadas com inteligência artificial podem gerar autuações por uso de celular ao volante e falta do cinto de segurança.
Os equipamentos funcionam durante as 24 horas do dia e combinam câmeras de alta resolução, sensores infravermelhos e sistemas capazes de analisar imagens do interior dos veículos. A tecnologia permite identificar comportamentos que dificilmente seriam percebidos pelos radares tradicionais, normalmente associados apenas ao controle de velocidade.
Inteligência artificial nos radares registrou mais de 7 mil casos durante os testes
Antes do início das autuações, o sistema passou por uma fase de monitoramento entre 12 de maio e 29 de junho de 2026. Nesse período, foram identificadas 7.297 possíveis infrações, o equivalente a uma média aproximada de 149 registros por dia.
A maior parte dos flagrantes envolveu ocupantes sem o cinto de segurança. Segundo os dados divulgados pela concessionária SPMar, responsável pelos trechos fiscalizados, os registros foram distribuídos da seguinte maneira:
| Possível infração | Registros | Percentual |
|---|---|---|
| Motorista sem cinto | 3.335 | 45,7% |
| Passageiro sem cinto | 1.956 | 26,8% |
| Uso de celular ao volante | 1.369 | 18,8% |
Os demais registros envolveram situações que não foram detalhadas ou imagens que ainda precisavam passar por avaliação. A quantidade de ocorrências durante os testes demonstra como infrações praticadas dentro dos veículos podem ser frequentes, mesmo quando os condutores respeitam os limites de velocidade.
As multas não são emitidas automaticamente pela inteligência artificial
Apesar do uso da inteligência artificial nos radares, o sistema não possui autonomia para aplicar penalidades. A tecnologia funciona como uma ferramenta de detecção, selecionando imagens que apresentam indícios de irregularidades.
Cada registro é encaminhado para o sistema compartilhado com a Polícia Militar Rodoviária. Um agente que atua no Centro de Controle Operacional da SPMar analisa a imagem e verifica se existem elementos suficientes para confirmar a infração.
Imagens desfocadas, com baixa visibilidade ou que não permitam comprovar claramente a conduta são descartadas. Somente após a validação humana a autuação pode ser emitida, evitando que a identificação realizada pelo software seja tratada automaticamente como prova definitiva.
Câmeras conseguem enxergar o interior dos veículos
Os sensores infravermelhos ajudam os equipamentos a funcionar tanto durante o dia quanto à noite. A tecnologia também melhora a visualização através dos para-brisas, permitindo reconhecer a posição do cinto sobre o corpo dos ocupantes ou identificar quando o motorista segura um aparelho celular.
Entre as situações observadas pelo sistema estão:
- Motoristas dirigindo sem o cinto de segurança;
- Passageiros sem utilizar o equipamento de proteção;
- Condutores segurando ou manipulando celulares;
- Veículos trafegando acima do limite permitido.
A fiscalização de velocidade continua ativa nos pontos onde os equipamentos possuem essa função. A principal mudança está na capacidade de observar comportamentos dentro do automóvel, ampliando o alcance do monitoramento eletrônico nas rodovias.
Infrações podem gerar pontos na carteira e multas
Dirigir sem utilizar o cinto de segurança é uma infração grave, com aplicação de multa e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação. A penalidade também pode ser aplicada ao motorista quando passageiros viajam sem o equipamento obrigatório.
Segurar ou manusear o celular enquanto dirige é uma infração gravíssima. Além do valor mais elevado da multa, a conduta adiciona sete pontos à CNH. O risco também é maior porque a atenção do condutor é desviada justamente em uma via onde os veículos trafegam em velocidades elevadas.
Os novos radares representam uma mudança importante na fiscalização: o equipamento deixa de observar apenas o movimento externo do automóvel e passa a analisar também a conduta de seus ocupantes. No Rodoanel, hábitos que antes poderiam passar despercebidos agora podem ser registrados a qualquer hora do dia, mesmo sem a presença visível de uma viatura policial.